Conheça o 1º Horoscopo do Mundo

O Horoscopo mais antigo da história

A origem do Mapa Astral e do Horoscopo.


Muito se fala sobre quem é o verdadeiro pai da astrologia. Muitos dizem que a astrologia só chega na Índia depois da chegada de Alexandre, o Grande, na região. A influencia dos gregos na antiguidade é enorme, mas será que realmente sabemos tudo sobre a origem a difusão da astrologia na antiguidade?

Não é surpreendente, mas como veremos a diante o horoscopo, ou o mapa astral, mais antigo que conhecemos foi achado no “Berço da Civilização”. Localizada entre os rios Tigre e Eufrates, o “berço” engloba a região que abrange as antigos povos Sumérios, Babilônios, Assírios e neo-assírio. No entanto, o período do nascimento de tal horoscopo se encontra no fim do domínio persa e ascensão do mundo grego. Ao longo da história, as representações do zodíaco assim como o uso e a pratica da astrologia muda e evolui de acordo com os povos que usufruem de seu conhecimento.

A imagem mais antiga do Zodíaco antes do nascimento do Horoscopo


A mais antiga representação do zodíaco remonta aos primórdios da humanidade, mais precisamente às comunidades de indivíduos que habitavam as cavernas durante a era Paleolítica. Esta fascinante imagem encontra-se nas paredes da caverna de Lascaux, situada na região da França. Nesse sítio arqueológico, desvendaram pinturas rupestres que datam desse período remoto, retratando a silhueta de touros, cavalos e outras criaturas.

A singularidade dessas representações vão além do simples ato de registrar a fauna local. Essas figuras pintadas nas paredes das cavernas sugerem a presença de um conhecimento astronômico primitivo já presente na mente dos habitantes paleolíticos. De fato, ao analisar com olhares contemporâneos, é possível vislumbrar indícios de mapas estelares pré-históricos cuidadosamente entrelaçados às cenas retratadas.

Essas representações artísticas, datadas de até 20.000 anos atrás, não se limitam apenas a ilustrar a fauna ou a estação do ano, mas sugerem uma conexão profunda com os ciclos naturais e os ritmos celestes que, muito além de simples observações casuais, provavelmente tinham significados vitais para a subsistência e a espiritualidade desses antigos povos. Estudos recentes evidenciam que os povos desse periodo já tinham noção do que seria um calendário Lunissolar. É interessante notar que nessa época não existem registros de horoscopo ou que essas representações tivessem qualquer relação com o nascimento de um pessoa.

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Figura na parede de Lascaux (fonte: treeofvisions)

Nesse contexto, é plausível inferir que essas representações simbólicas possam ter desempenhado um papel crucial na construção dos primeiros calendários agrícolas. As migrações sazonais dos animais, associadas aos movimentos celestes, possivelmente inspiraram a criação de marcos temporais que guiaram as atividades vitais dessas comunidades, desde os momentos propícios para a caça até os períodos de reprodução animal.

Os Sumérios e os Assírios analisavam horoscopo?


O texto mais antigo sobre astrologia que resistiu à passagem do tempo encontra-se na forma de uma réplica de um texto ancestral proveniente da Suméria. A relevância histórica está em torno da contribuição do rei Assírio, Ashurbanipal, que ergueu um marco significativo ao construir à primeira biblioteca registrada na história. Animado pela vontade de acumular o conhecimento cultos estelares das eras passadas, Ashurbanipal ordenou que seus súditos recolhessem os segredos das civilizações que naquela época já eram ancestrais.

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Tabua de argila sobre o Signo de Virgem. 12 volumes. Período Seleuco 200 a.C (Fonte: Louvre Museum)

Naquela época, o império neo-assírio já observava a Suméria como uma civilização há muito perdida nos anais do tempo. Em sua missão, Ashurbanipal almejava centralizar, na capital, todo o acervo de sabedoria acumulado até então. As memórias de tentativas de golpes e revoltas protagonizadas pelas Cidades-Estado insentivadas pela classe de sacerdotes-astrologos no passado contra a sua linhagem inspiraram-no a buscar um novo direcionamento. Ele desejava que os astrólogos assírios dominassem a arte da previsão, e, como decorrência natural, neutralizassem a influência política dos astrólogos provenientes de outras cidades.

Grande parte das registros subsistentes atualmente, incluindo até o lendário Épico de Gilgamesh, são cópias fiéis de textos de épocas anteriores, segundo os próprios relatos de Ashurbanipal. Nesse sentido, os registros do passado ecoam por meio dessas réplicas.

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‘Enuma Anu Enlil’ ‘Quando os deuses Anu and Enlil…”, possivelmente 1702 a.C (Fonte: britishmuseum.org)

O rei Assírio Ashurbanipal conseguiu o feito notável ao reunir as famosas tabuas de argila conhecidas como Enuma Anu Enlil. Datadas possivelmente da era de Sargão de Acádia ou do reinado de Ammisaduqa, o quarto monarca após Hammurabi. Essas tabuas revelavam uma interpretação dos fenômenos celestes, e tratam de um sistema de observação de presságios e analise do céu. A importância residia na relevância direta que possuíam para o rei e o estado, constituindo-se como fonte de presságios nos relatórios astrológicos que conduziam os afazerem do Estado. Nada é mensionado a respeito de datas de nascimento ou de um horoscopo pessoal.

Os Persas presenteiam os Gregos com o Horoscopo


A prática do Horoscopo, que se concentra na análise do mapa astral para propósitos pessoais, teve seu surgimento registrado na região da Mesopotâmia, durante o período da ocupação persa. Nesse cenário, o mazdaísmo erguia-se como a religião principal no Irã, introduzindo uma perspectiva cosmológica rica em torno do dualismo. Segundo os princípios do mazdaísmo, o mundo havia sido forjado e se desenrolava na dialética entre luz e sombras. Nessa época os deuses antigos já haviam sido esquecidos.

Essa conjuntura abriu caminho para uma mudança na trajetória da astrologia, impulsionada por motivos práticos. Os persas, que haviam solidificado seu domínio na antiga Mesopotâmia, viram que a expertise dos astrólogos babilônicos, até então indispensável, não mais lhes era necessária, especialmente pela suas práticas religiosas. Foi nesse panorama que os astrólogos babilônicos se viram diante da necessidade de redefinir sua função e assegurar sua subsistência.

Especula-se que por volta do ano 450 a.C., surgiu uma faísca de inovação que revolucionaria o campo astrológico. Eram os primeiros indícios dos horóscopos de nascimento, ou mapas astrais, uma resposta criativa diante das mudanças. Essa nova abordagem logo ganhou tração e atravessou fronteiras, alcançando a Grécia e deixando suas marcas.

No ano de 280 a.C., Berossus, um sacerdote de Bel da Babilônia, migrou para a ilha grega de Kos. Nesse novo solo, ele não apenas compartilhou a sabedoria da astrologia e da cultura babilônica, mas também plantou a semente que floresceria como um marco histórico. Pela primeira vez, a astrologia trilhava os caminhos em direção ao mundo grego.

Na confrontação inicial, os gregos, reconhecidos por sua mente lógica, contemplaram a astrologia. Um exemplo notório é o diálogo “Fedro”, atribuído ao filósofo Platão. No texto a presença do entendimento astrológico é claro e marca a evolução do pensamento que antes estava preocupado em determinar presságios para a percepção do seu impacto nas histórias pessoais.

A ideia de que a posição dos planetas no exato instante do nascimento de um indivíduo exerceria influência sobre as qualidades intrínsecas da alma, bem como os rumos traçados para sua jornada terrena, ganha vida nesse diálogo.

no céu, há Zeus e onze deuses principais em carros de guerra, com eles um exército celestial de deuses e demônios seguido pelas almas das pessoas pregando a eles. As almas que caem seguirão os mesmos deuses em sua vida terrena como fizeram no céu.

Platão -Fedro

O Primeiro Horoscopo


O horoscopo mais antigo, inscritos em tábuas cuneiformes, traçam sua origem no ano de 410 a.C., enquanto os mais recentes ressoam até o ano de 69 a.C. Os horóscopos babilônicos não apenas antecipam os destinos, mas também lançam luz sobre as características de um recém-nascido, como podemos ver na tradução abaixo:

Em Nisannu, na noite do 14º dia (?), nasceu o filho de Shumu-usur, Shumu-iddina, descendente de [—]. Naquele momento, a lua estava abaixo das Garras do Escorpião, Júpiter em Peixes, Vênus em Touro, Saturno em Câncer e Marte em Gêmeos. Mercúrio, que havia se posto, não estava [visível]. [-] Eventos auspiciosos estarão a seu favor.

(Rochberg 1998: 56)
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Tábua de Argila com Horoscopo (Fonte: Rochberg Babilonian Horoscopes)

outro horoscopo de 224 a.C é traduzido da seguinte forma:

No ano 77, no 4º dia de Simanu, Aristocrates veio ao mundo na manhã do 5º dia. Nesse dia, a lua estava em Leão e o sol em Gêmeos às 12h30. A lua direcionou-se a partir do centro (zona nodal) em direção à latitude positiva. “Se a lua se direciona do centro para a latitude positiva: prosperidade e grandeza.” Júpiter estava em 18 Pabilsag (Sagitário). A influência de Júpiter: prosperidade, paz, riqueza duradoura, dias longos.

Vênus encontrava-se na 4a estrela (Touro). A influência de Vênus: ele será favorecido onde quer que vá; terá filhos e filhas. Mercúrio estava em Gêmeos, alinhado com o sol. A influência de Mercúrio: o corajoso será o primeiro em posição; será mais importante que seus irmãos; herdará a casa de seu pai. Saturno estava no 6º grau de Câncer. Marte estava no 24º grau de Câncer: … nos dias 22 e 23 de cada mês …

As previsões, por sua natureza, frequentemente assumem um caráter amplo, embora impregnadas de uma essência premonitória. Os primórdios dos horóscopos, nesse sentido, também abraçam previsões que poderiam ser denominadas como um pseudo-horoscopo. O traço distintivo dessas previsões reside em sua inclinação positiva, um compasso que aponta para um futuro auspicioso, mesmo quando a sombra da incerteza se faz presente.

Conclusão


A jornada através do tempo nos mostra que as estrelas, desde os tempos antigos, foram mais do que pontos brilhantes no céu. Na Babilônia, elas eram os olhos dos deuses, os portadores de destino e as chaves para compreender o divino. À medida que a astrologia evoluiu, desde os rituais de adivinhação babilônicos até as teorias helenísticas mais elaboradas, as estrelas continuaram a iluminar os caminhos da humanidade, conectando-nos ao cosmos e às forças que moldam nossa existência.

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FAQ


Qual é a data do mapa astral mais antigo?

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O mapa astrológico mais antigo que sobreviveu até os dias de hoje data de 410 a.C. na Babilônia.

Como os babilônios conseguiram relacionar períodos do ano com um tipo específico de personalidade?

A história da astrologia é dividida em fases. Em um primeiro período o calendário é mapeado para fins de agrícolas e de sobrevivência. Em um segundo momento, após observar a extensa repetição de eventos mundanos e fenômenos celeste por centenas de anos, os babilônios começam a marcar possíveis presságios antecipando o movimento dos astros. Em um período mais longínquo esses mesmos eventos deixam de ser apenas para assuntos de Estado e passam a ser usados em natividades.

Como as estrelas eram vistas na cultura babilônica?

Na cultura babilônica, as estrelas eram consideradas moradas dos deuses e portadoras de mensagens divinas.

Qual era a relação entre as constelações e os deuses na astrologia babilônica?

As constelações representavam a morada de deuses e suas influências, não se concentrando em estrelas individuais no período posterior.

Como a astrologia helenística se relaciona com a babilônica?

A astrologia helenística incorporou elementos da astrologia babilônica, desenvolvendo uma base teórica e filosófica mais sólida.

Como a astrologia védica se relaciona com a astrologia babilônica?

O oriente não estava isolado das civilizações que habitaram a mesopotâmia. Embora não tenhamos evidencias em torno de trocas a respeitos de conhecimento astrológicos, sabemos que o contato entre a Índia e a região da “Crescente Fértil” acontece desde a primeira cidade de Uruk até o império Persa.

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Pedro Cabral

Graduação acadêmica em Comunicação e mais de 15 anos de dedicação à Astrologia Védica. Tudo teve início quando tive o privilégio de conhecer um ourives vaishnava, cuja inspiração me guiou. Ao longo do tempo, fui aluno de mestres indianos, lapidando com cuidado minhas habilidades. Sempre movido em enriquecer e contribuir ativamente para o florescimento da comunidade astrológica e dos amantes desta arte.

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