Tantra: Explorando os limites da Astrologia Védica

Tantra e Astrologia Védica

Peço desculpas se você entrou aqui com a expectativa de encontrar um conteúdo provocante ou sensacionalista. Essa é frequentemente a concepção inicial quando abordamos esse conjunto de práticas amplamente difundido no contexto da nova era. O tantra transcende os meros cursos de fim de semana voltados para aprimorar a intimidade entre casais ou para aprender a cultivar amor próprio. Como veremos adiante, o Tantra é um conjunto de práticas em volta de uma cosmovisão que embora poucos tenham percebido, se entrelaça com o pensamento em volta da astrologia védica e seus remédios astrológicos.

No domínio do conhecimento esotérico e das práticas espirituais, tantra e astrologia se destacam como dois pilares significativos que moldaram o cenário religioso oriental por séculos. Essas práticas antigas, enraizadas em suas tradições, oferecem respostas sobre a natureza do universo, a existência humana e o caminho para o seu domínio e libertação.

A misteriosa origem da Astrologia e da tradição Tântrica


Embora não seja amplamente divulgado e reproduzido, o tantra e Astrologia Védica partilham de muitos aspectos parecidos e a historia de ambos se entrelaçam com o tempo como iremos ver adiante. As origens das tradições tântricas constituem um enigma, em grande parte devido à escassez de evidências históricas na Índia durante o período em que, aparentemente, surgiram, durante a dinastia Gupta (320-550 d.C). Esta falta de provas tem levado a especulações abundantes sobre a origem dessas tradições.

Não existe evidência sólida da existência de tradições tântricas antes do primeiro milênio d.C. Embora sejam claros alguns aspectos das tradições tântricas, como práticas características e iconografia, que antecedem significativamente a formação histórica dessas tradições, as diversas tentativas de datar o Tantrismo, assim como a Astrologia Védica, antes do primeiro milênio d.C. baseiam-se em evidências bastante frágeis para a maioria dos pesquisadores acadêmicos que repudiam a tradição oral.

Tantra e Astrologia como Revelações Divinas


A maioria dos textos de Tantra e Astrologia, assim como as escrituras associadas (āgama, saṃhitā, etc.), são considerados pelas respetivas tradições como obras reveladas, inicialmente ensinadas por divindades. Na tradição Śaiva, acredita-se que as escrituras tenham tido origem em ensinamentos transmitidos por Śiva à sua esposa, Devī, e posteriormente comunicados a sábios humanos, como Matsendranāth e outros Maharishis.

Por outro lado, as tradições tântricas Śākta e Vaiṣṇava afirmam que a Deusa e Viṣṇu, respetivamente, foram os mestres divinos originais. Estes mitos, apesar de alegarem que as escrituras têm origem numa expressão divina atemporal, apontam para a sua revelação como sendo meditada por grandes adeptos realizados (mahāsiddhas) que viveram durante o período medieval inicial, por volta dos séculos VII ao XIII, mais ou menos quando a maioria das escrituras tântricas efetivamente veio à luz.

No que diz respeito às alegações acerca das origens das escrituras, elas tendem a possuir uma natureza mais voltada ao aspecto mítico do que ao histórico. Considerar tais mitos como eventos com fundamentos históricos, de fato, carece de sustentação. Entretanto, há uma profundidade simbólica que cerca elementos cosmológicos e astronômicos, algo bastante evidente para aqueles que se dedicam ao estudo da astrologia.

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Panchamukha Śiva (Fonte: Wikimedia)

Tantra e Astrologia como uma amalgama de praticas religiosas


Apesar de as tentativas de vincular aspetos das tradições tântricas ao passado remoto serem especulativas no melhor dos casos, não há dúvida de que essas tradições, conforme emergiram, foram amplamente influenciadas por tradições indianas de pensamento e prática anteriores.

Uma das maiores influências nas tradições tântricas foi a tradição védica mais antiga do hinduísmo. O hinduísmo védico incluía a classe sacerdotal, os Brâmanes, que tinham o dever sagrado de memorizar a literatura sagrada oral da tradição, os Vedas, e também de aprender as práticas rituais complexas que a tradição promovia.

Estes rituais consistiam em oferendas aos deuses realizadas num fogo sagrado, que variavam desde oferendas principalmente vegetarianas feitas em pequenos fogos domésticos (gṛhya), que os chefes de família deveriam manter, até rituais mais elaborados “solenes” (śrauta), que exigiam sacrifícios animais, como as cerimonias com cavalos feito por monarcas.

Esta tradição desenvolveu-se por volta de 1500-500 a.C., atingindo o seu auge por volta de 500 a.C., pouco antes do surgimento das tradições de renunciantes que a desafiariam. Embora existisse tensão entre os defensores da tradição védica e os defensores de algumas tradições tântricas, as tradições tântricas incorporaram amplamente as práticas rituais védicas.

Adaptação e incorporação de cerimonias védicas


Esta assimilação incluiu a adaptação integral do principal rito védico de sacrifício ao fogo, o homa, e a transformação do rito védico de consagração real, rājyasūya, no rito de iniciação abhiṣeka. Até mesmo a prática distintamente tântrica de visualizar uma divindade ou o seu yantras de forma intima, tinha precedentes védicos; alguns rituais védicos requeriam identificação ritual com a divindade, seus simbolos ou yantras por meio de visualização interna e ações rituais externas.

No Brihat Parashara Hora Shastra, por exemplo, uma série de visualizações em torno da forma e aparência de deidades planetárias. Elas são ensinadas para auxiliar a construção de imagens e principalmente orientar o processo de meditação em torno de um planeta, como vemos a seguir:

“Excelentemente formoso, se comunica por metafóras, gosta de se divertir, este é Mercúrio. Com natureza Pitta, Kapha e Vata, Oh Nascido duas Vezes. “

– BPHS

Praticas do Tantra na Astrologia Védica


A presença do tantra em praticas da Astrologia Védica revela-se profundamente delicada e sutil. Dentro desse universo, encontramos uma série de textos, remédios e regras que são tradicionalmente transmitidos de Gurus para discípulos, carregando consigo o conhecimento enraizado em tradições orais. Essas práticas e superstições, fundamentadas na cosmovisão do tantra, sustentam esse legado de sabedoria.

As escrituras tântricas que abordam a astrologia védica, em sua essência, são textos espirituais que oferecem orientação e autoconhecimento dentro do amplo panorama do tantra e astrologia védica. Sua finalidade é guiar os indivíduos em direção ao crescimento espiritual e material, se conectando com energias divinas por intermédio de mantras, yantras, yoga, gemas, mudras, plantas e cerimônias. Desse modo, o tantra e astrologia se entrelaçam de maneira harmoniosa, caminhando lado a lado.

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FAQ


Jyotish e astrologia são a mesma coisa?

Embora tanto o jyotish quanto a astrologia envolvam o estudo de corpos celestes, o jyotish é um sistema mais enraizado nas tradições védicas, abrangendo um espectro mais dogmático e religioso das influências cósmicas.

O tantra trata apenas de práticas sexuais?

Não, o tantra foi um movimento religioso e engloba uma ampla gama de práticas, incluindo meditação, visualizações, entoação de mantras, e rituais, com o objetivo de evolução espiritual. Embora reconheça o papel das energias, não se concentra exclusivamente na sexualidade.

Qualquer pessoa pode praticar jyotish ou tantra?

Sim, qualquer pessoa com interesse genuíno e disposição para aprender pode explorar tantra e astrologia. No entanto, é recomendável a orientação de praticantes ou professores experientes para obter uma compreensão mais profunda dessas práticas intrincadas.

Como o jyotish pode ajudar na vida diária?

O jyotish pode oferecer insights sobre diversos aspectos da vida, como carreira, relacionamentos, saúde e espiritualidade, auxiliando indivíduos a tomar decisões informadas e navegar pelos desafios da vida.

O que o Tantra e Astrologia tem em comum?

Tantra e Astrologia representam sistemas de compreensão do universo. O tantra está entrelaçado com a tradição religiosa védica, e muitas de suas práticas encontram solo fértil nas convicções da astrologia védica. Até os dias atuais, diversos dos métodos para equilibrar energias planetárias baseiam-se nas raízes das práticas tantristas, como yantras por exemplo.

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Pedro Cabral

Graduação acadêmica em Comunicação e mais de 15 anos de dedicação à Astrologia Védica. Tudo teve início quando tive o privilégio de conhecer um ourives vaishnava, cuja inspiração me guiou. Ao longo do tempo, fui aluno de mestres indianos, lapidando com cuidado minhas habilidades. Sempre movido em enriquecer e contribuir ativamente para o florescimento da comunidade astrológica e dos amantes desta arte.

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